Kit Arte da Crônica (Esse Inferno vai acabar + Nós passaremos em branco + Certos homens)
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ESSE INFERNO VAI ACABAR
Humberto Werneck
192 páginas | ISBN 978-85-60171-20-0
“Em Minas Gerais não acontece nada, mas o pessoal se lembra de tudo”, avisa o autor numa das crônicas deste livro. Não é brincadeira, e talvez por isso mesmo existam tantos escritores mineiros entre os grandes cronistas do país. Naquela frase, que não é só de efeito, está escondida uma das mais delicadas definições do gênero em que Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos foram mestres. O não acontecimento – o fato comezinho, a miudeza, a situação cotidiana – é a matéria-prima da crônica. Mas é a memória que, ao retirar do passado e reinventar essas pequenas histórias, dá a graça e a beleza que as transformam em arte.
Como bom mineiro, e ainda melhor cronista, Humberto Werneck lembra de tudo. Da tristeza pelo cancelamento (justificado) de uma aguardada festa de aniversário na infância à alegria de presenciar a histórica inauguração de Brasília. Nesta coletânea, Werneck ainda reúne uma galeria de tipos difíceis de esquecer: Solange, a prima que adora falar difícil; Dona Alzira, que bolou um escudo de eucatex para se defender de um tarado munido de raio laser; e Samuel, que está de novo com a conversa de que o mundo vai acabar.
Humberto Werneck é um contador de histórias como poucos. Ele narra com o ritmo preciso e o humor refinado que o tornaram conhecido como um dos melhores textos do jornalismo brasileiro. Como cronista, alia a capacidade de observação ao talento com as palavras. O resultado, que pode ser conferido nas 44 crônicas deste livro, é uma conversa que revela a humanidade dos personagens e do próprio autor.
NÓS PASSAREMOS EM BRANCO
Luís Henrique Pellanda
192 páginas | ISBN 978-85-60171-19-4
O cronista esquadrinha a sua cidade tal qual um flâneur. Sobe a Ébano Pereira, atravessa a Pracinha do Amor e pega a Saldanha Marinho. Desce a Ermelino até a Boca Maldita, percorre o calçadão rumo à Praça Osório. Nas crônicas de Luís Henrique Pellanda, o centro de Curitiba é o cenário de histórias quase invisíveis, flagrantes do cotidiano que revelam o que há de perverso – e também de encantador – nas ruas anônimas de uma metrópole.
O que pode escapar à percepção da maioria de nós é retido na memória do cronista. Assim nasce uma galeria de situações e personagens bastante particular: a prostituta que joga pétalas de rosas sobre a menina que dorme na praça; a alucinada estreia do filme The Doors no antigo Cine Plaza; um assassinato – cinco tiros na cara – bem debaixo da janela do autor; a macaca dançarina que hipnotiza o músico; a mocinha com o canivete, lembrança de um verão distante.
Ao final deste volume, Pellanda apresenta um inventário de tipos fantásticos, como o Diabo da Cruz Machado, o Encosto Bilheteiro e a Desamparada do Pré-Pago, reunidos numa “Antologia dos Demônios de Curitiba”. Ali, o sobrenatural serve para iluminar o que há de humano nos seres que, como o autor, vagam pela cidade. Assombroso, na verdade, é o indiscutível talento de Pellanda para extrair lirismo do que acontece naquelas ruas.
CERTOS HOMENS
Ivan Angelo
208 páginas | ISBN 978-85-60171-21-7
Um mal-entendido telefônico que nunca será desfeito, as desconcertantes conversas de um avô com seu neto, a inusitada colheita de pitangas nas ruas de um bairro paulistano, o encanto perene das antigas namoradas. Casos bem-humorados e outros nem tanto, com retratos de tipos humanos, relações amorosas, cenas urbanas, crítica social e de costumes e alguma poesia. Quase tudo o que cabe numa crônica está neste livro.
Ficcionista premiado e jornalista não menos reconhecido, Ivan Angelo estabelece em suas crônicas a cumplicidade com o leitor que é um dos trunfos do gênero. Histórias aparentemente prosaicas ganham sabor – um tempero mineiro, quem sabe – ao ser narradas com o talento de um exímio cronista. Nas 50 crônicas deste volume, um assunto puxa o outro, e o que emerge desse conjunto é um panorama muito pessoal da vida brasileira, de hoje e de antes.
Sem evitar nem mesmo temas à primeira vista áridos – como a violência ou a política –, Ivan Angelo propõe ao leitor, seu eterno cúmplice, aqueles dois dedos de prosa que, com as palavras precisas, transformam uma boa conversa em grande literatura.
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